Brasília 30/01/09 (MJ) – Mais de 40 adolescentes de São Sebastião, cidade satélite de Brasília, visitaram nesta sexta-feira (30) o Ministério da Justiça como a última atividade da Oficina de Mídia e Cidadania, promovida pela Secretaria Nacional de Justiça (SNJ). Os jovens puderam aprender sobre direitos humanos, análise crítica da mídia, estatuto da criança e do adolescente, educação fiscal e mediação de conflitos.
A experiência será replicada nos estados, ainda em 2009, como uma das ações do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci). O Rio de Janeiro, por exemplo, deverá receber o projeto em breve. Autoridades da prefeitura já estão em negociação para instalar a Oficina em algumas áreas da cidade.
Com essa iniciativa, a SNJ pretende ampliar o debate sobre os direitos humanos, os meios de comunicação de massa e a classificação indicativa (TV, cinema, teatro e shows) – uma das atribuições da Secretaria.
“As informações transmitidas pela mídia tem impacto na formação de crianças e adolescentes e, muitas vezes, elas e suas famílias não têm ferramentas para avaliar criticamente o conteúdo. Desenvolver no jovem a capacidade de análise é contribuir para a formação de verdadeiros cidadãos com valores próprios”, explicou o secretário Romeu Tuma Júnior.
O secretário acredita que a dedicação integral dos adolescentes à oficina num período de férias é a prova do sucesso do projeto. “Adolescentes que moram em áreas carentes, que não têm atividades ficam vulneráveis. Segurança pública é também proteger o jovem carente do assédio da criminalidade, oferecendo opções de cultura, esporte e lazer”.
Após receber os alunos, o secretário reconheceu a dedicação da turma, mesmo no período de férias, e anunciou que três jovens serão selecionados para fazer estágio no Ministério. Serão escolhidos os alunos que tiveram melhor comportamento e desempenho.
Aulas práticas e teóricas
Durante 13 dias, das 8h às 18h, os alunos da escola de ensino médio São Francisco tiveram a oportunidade de participar de aulas teóricas e práticas, e de visitar o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e o Centro Cultural Banco do Brasil.
Eles também conheceram os critérios e o processo de classificação indicativa, responsabilidade da SNJ. Entenderam a utilidade do trabalho de técnicos da Secretaria na definição de um produto audiovisual (filmes, teatro, shows e TV), de acordo com a faixa etária.
No final da oficina, os estudantes produziram dois vídeos sobre a cidade de São Sebastião, um jornal e dois programas de rádio. Para a estudante Kelly Cristina Pereira, 15 anos, os trabalhos práticos possibilitaram mostrar uma outra realidade da cidade, nem sempre retratada pelos veículos de comunicação. “São Sebastião só aparece na televisão com problemas: segurança, educação, saúde. Nós pudemos mostrar um outro lado da cidade, as pessoas e sua cultura”, disse.
O novo desafio dos alunos da escola São Francisco será aprofundar os conhecimentos em mediação de conflitos, para atuarem com pais e professores no atendimento à comunidade. “Numa cidade onde o índice de violência é grande, ter um curso destes e, depois, aprofundar os conhecimentos vai ajudá-los a entender melhor a sociedade, o seu papel dentro dela e, com certeza, reduzir os conflitos”, afirmou a professora Giza Porto, coordenadora da oficina na escola.
O curso contou com a participação de profissionais da SNJ, da secretaria Especial dos Direitos Humanos, da secretaria de Receita Federal, do Sindicato dos Jornalistas do DF, do jornal Correio Braziliense, da Universidade de Brasília, do Instituto Pró-Mediação e da Universidade de São Paulo.